Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

 

A escola foi assaltada logo no princípio do ano. Mas, para grande espanto de todos, os ladrões não levaram nada. Seria uma partida dos alunos? Seria obra de um maluquinho? Puseram-se muitas hipóteses, mas nada se descobriu. Os professores, os empregados e até a polícia tentavam deslindar aquele mistério. Mas quanto mais tentavam maior era a confusão...

 

«— Quem? Mas quem?
   — É inacreditável!
   — Inconcebível! Sou professora há vinte anos e nunca vi nada parecido!
   — Palavra de honra, que não posso imaginar qual foi a ideia!
   — Uma coisa assim!
   — Quem é que pode ter feito uma coisa destas? Mas quem?
   Naquela manhã, parecia que um vento de loucura tinha varrido a escola. Os professores discutiam acaloradamente ao cimo da escada e em grupos, espalhados ao acaso. Os empregados andavam de um lado para o outro, a gesticular, a bramar, a barafustar. Pareciam furiosos e assustados também... Os alunos corriam todos na mesma direcção, chamando os colegas:
   — Anda ver!
   — Que barraca!
   — Quem terá sido?
   A balbúrdia era enorme! As gémeas pararam surpreendidas. Que seria aquilo? Já tinha tocado, mas ninguém parecia importar-se, o que lhes dava muito jeito, porque, nessa manhã, o despertador não tinha funcionado e elas vinham com medo de já ter falta. Mas, o que quer que estivesse a provocar aquelas reacções, devia ser bem grave!
   — O que é que terá acontecido, ó Luísa?
   — Sei lá! Coisa boa é que não foi...
   Tentaram perguntar a um colega, mas ele limitou-se a dizer:
   — Venham daí, venham...
    As gémeas encolheram os ombros e seguiram-no, escada abaixo, curiosas.
   — Parece que...
   A Teresa parou, estupefacta. Não era para admirar que a escola estivesse naquele desvario!
   A toda a volta de um dos pavilhões, alguém tinha escavado um fosso! Tinham mesmo furado o cimento que havia na frente e num dos lados, e, com ferramentas poderosas, tinham aberto uma espécie de vala durante a noite!
   — Isto é espantoso! — murmurou a Luísa, mal acreditando no que via.
   — Para quê? Mas para quê? — repetia uma professora ali ao lado.
   Realmente, não se entendia a finalidade daquela obra absurda. A escola em peso concentrava-se ali, sem saber o que pensar. Toda a gente discutia o assunto, toda a gente dava palpites, trazendo para a conversa ideias perfeitamente loucas! E os mais novos, divertiam-se, radiantes, a saltarem sobre o fosso, ora tomando balanço para atingir a porta do pavilhão ora saltitando a pés juntos, de dentro para fora e de fora para dentro. Como tinha chovido de madrugada, no fundo do fosso havia uma altura de água que tornava os saltos ainda mais excitantes. Quem caísse lá dentro, caía à água! Talvez por isso, um dos rapazes lembrou-se dos castelos rodeados de água por todos os lados, com uma ponte levadiça na porta principal... E, sem dizer nada a ninguém, correu em busca de uma tábua grossa e larga que pudesse servir de ponte! Como ali perto havia um prédio em obras, não lhe foi difícil encontrar o que queria. E, exultante com o seu achado, estendeu a tábua sobre o fosso, e gritou, correndo-lhe por cima:
   — Ao ataque! Ao ataque! Vou conquistar este castelo!
   O desafio não ficou sem resposta. Em poucos instantes, tinham-se formado vários grupos, uns da parte de dentro, a defender, outros da parte de fora, a atacar, agitando paus, usando mochilas a fazer de escudos, tudo na maior algazarra.
   — Morte ao inimigo!
   — Ah, cães! Ah, cães!
   — O castelo é nosso! É nosso!
   A Teresa e a Luísa observavam aquilo tudo, deliciadas! Estava uma manhã linda, de Outono. Um ventinho fresco dispersara um pouco as nuvens, que se amontoavam no céu, tomando formas esquisitas e várias tonalidades, desde o branco muito branco até ao quase cinzento.O céu via-se às tiras, de um azul luminoso e brilhante. E o Sol derramava raios dourados sobre aquela cena louca, que os miúdos animavam com os seus gritos, simulando guerras.
   E a certeza de que a primeira aula já lá ía, pois faltavam poucos minutos para tocar, ajudava a tornar aquela manhã de escola numa manhã inesquecível.
   — Que paródia, Luísa!
   — Mas quem é que terá feito uma coisa destas?
   — Parece que isso é o que está toda a gente a perguntar!»

 

(in Uma Aventura na Escola, pp. 24-26)

 

Se queres saber como termina esta aventura vai à Biblioteca da Escola e requisita o livro.

 

BOAS LEITURAS!! 

 

 

 02_20_w.gif (6031 bytes)O saber não ocupa lugar

 

Ana Maria Magalhães (Lisboa, 14 de Abril de 1946) é uma escritora portuguesa de literatura infanto-juvenil. Esta escritora destacou-se pelos livros da colecção Uma Aventura, destinados a jovens, que tiveram grande sucesso.

Isabel Alçada nasceu em Lisboa, a 29 de Maio de 1950, é uma professora e escritora portuguesa.

Juntamente com Ana Maria Magalhães (escritora) escreveu, as histórias da colecção juvenil Uma Aventura, parceria essa que se iniciou em 1982. Frequentou o liceu francês Charles Lepierre, no ensino secundário. Em seguida, licenciou-se em Filosofia, na Faculdade de Letras de Lisboa. Depois de casar, ainda estudante, iniciou-se na vida profissional, a trabalhar no Centro de Formação e Orientação Profissional - Psicoforma.

 

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publicado por leraprenderecrescer às 21:24
no Agrupamento de Escolas de Oleiros
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