Quinta-feira, 04 de Dezembro de 2008

 

Sou um pinheiro vulgar.
Ora estava eu dormindo em pé, muito regalado da vida, lá na minha terra, quando me foram acordar. Olharam para mim e exclamaram:
- Este é bom! É mesmo bom!
Fiquei vaidosíssimo. Estavam a dizer que eu era bom.
Que era bom, já eu o sabia de cor e salteado, mas que o afirmassem assim tão alto e bom som, era coisa de causar admiração.
Vai daí, começaram a bater-me com um machado pequeno e teimoso que se fartava! Cada golpe que ele me dava, arrancava-me um pedacinho de força.
         “Não há-de ser nada” – pensei eu, tentando agarrar-me mais e mais à terra que sentia fugir-me debaixo das raízes. Quando percebi que flutuava no ar, soube que não ia viver por muito mais tempo naquele sítio. E não me enganava.
         Trouxeram-me para aqui e enfeitaram-me com mil e um presentes: bolas brilhantes, fitas de cores, levíssimos bonecos que baloiçam nas minhas agulhas verdes de pinheiro vulgar.
         Iluminaram-me e todos olham para mim com um estranho ar de festa, de alegria.
         Onde vim parar? Porque me admiram assim tanto? Onde está o mistério?
         Serei eu, afinal de contas, não um pinheiro vulgar, mas um pinheiro diferente dos meus irmãos e amigos que ficaram lá longe, dormindo me pé, sossegadinhos no pinhal onde eu nasci?
 
in, O Livro do Natal, Maria Alberta Menéres

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02_20_w.gif (6031 bytes)O saber não ocupa lugar

 

Maria Alberta Meneres, de seu nome completo Maria Alberta Rovisco Garcia Meneres de Melo e Castro nasceu em Vila Nova de Gaia, em 1930.

Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, pela Universidade Clássica de Lisboa. Foi professora do ensino secundário e colaborou em diversas publicações nomeadamente Távola Redonda, Diário de Notícias, Cadernos do Meio-Dia e Diário Popular, tendo neste último sido responsável, durante dois anos, pela secção Iniciação Literária.

A sua primeira obra data de 1952 e intitula-se Intervalo, tendo sido premiada, em 1960, com o seu livro Água-Memória, no Concurso Internacional de Poesia Giacomo Leopardi.

Maria Alberta Meneres tem dedicado grande parte da sua obra à literatura infantil e juvenil e produziu nesta área programas de televisão, sendo em 1975 sido nomeada chefe do departamento de programas infantis e juvenis da RTP.

Ao longo da sua carreira tem recebido inúmeros prémios nomeadamente o Prémio de Literatura Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1981. Em colaboração com Ernesto de Melo e Castro, organizou, em 1979, uma Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa.

 

 

 

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publicado por leraprenderecrescer às 11:42
no Agrupamento de Escolas de Oleiros
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