Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008



publicado por leraprenderecrescer às 18:04
Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008


publicado por leraprenderecrescer às 16:53
Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

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publicado por leraprenderecrescer às 15:59
Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

O Natal já vinha perto
E, em casa, que confusão
Toda a gente atarefada
Com a vassoura na mão.
 
E as aranhas perseguidas
Fugiam a oito patas.
E iam esconder-se no sótão
Com os ratos e as baratas.
 
Lá em cima, muito tristes,
Lamentavam o seu mal:
- Ai, se ao menos nos deixassem
Ver a árvore de Natal!
Mas, o Menino Jesus
Mandou-lhes este recado,
Por uma estrela que brilhava
Entre as frestas do telhado:
 
«Quando a gente desta casa
Estiver toda deitada,
Aranhas, tendes licença
De ir ver a árvore enfeitada.»
 
As aranhas, uma a uma
Saíram lá do seu canto.
E foram ver o pinheiro
Que estava mesmo um encanto.
Mas, ao andarem pelos ramos,
As pobres aranhas feias
Deixavam atrás de si
Os fios cinzentos das teias!
 
O Deus Menino, porém
Estendeu sua mão bendita.
Transformando em fios de prata
Os sinais dessa visita.
 
Dizem que foi desde então,
Que se tornou habital
Enfeitar com fios brilhantes
As árvores de Natal.
 
 
 
 
 
 
 
Maria Isabel Mendonça Soares
 

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publicado por leraprenderecrescer às 11:46
Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

 

Chovera toda a noite. As ruas eram autênticas ribeiras, arrastando na enxurrada toda a espécie de detritos. Os carros,  ao passar a alta velocidade, espalhavam, indiferentes, água suja sobre os transeuntes, molhando-os, sujando-os. 

O Tonito seguia também naquela onda humana, sem destino. Tinha-se escapulido da barraca, onde vivia. Os pais tinham saído cedo para o trabalho, ainda ele dormia. Os irmãos ficaram por lá a brincar, chapinhando na lama que rodeava a barraca. Ele desceu à cidade, onde tudo o deslumbrava. Todo aquele movimento irregular, caótico, frenético. Os automóveis em correrias loucas, as gentes apressadas nos seus afazeres. E lá seguia, pequenino, entre a multidão, numa cidade impávida, indiferente, cruel mesmo. Passava em frente às pastelarias, olhava para as montras recheadas de doçuras. Ele que comera de manhã um bocado de pão duro e bebera um copo de água! Vinha-lhe o aroma agradável dos bolos; o seu pequeno estômago doía-lhe com fome! Chovia agora mansamente, uma chuva gelada, levando uma cidade onde se cruzavam o fausto, a vaidade, o ter tudo, os embrulhos enfeitados das prendas, com a dor a melancolia, o sofrimento, o ter nada e no meio uma criança triste e com fome! 

 Mas o Tonito gostava era de ver as lojas dos brinquedos. Lá estavam os carros de corrida, o comboio, os bonecos, enfim todo um mundo maravilhoso que ele vivia, esborrachando o nariz sujo contra a montra. Lá dentro ia grande azáfama nas compras de Natal. E os carros de corrida, o comboio, os bonecos eram embrulhados em papeis bonitos para irem fazer a alegria de outros meninos. Uma lágrima descia, marcando-lhe um sulco na sujidade da carita. Eis que os seus olhos reparam num menino, que de lá dentro o olhava. Desviou-se envergonhado. Não gostava que o vissem chorar. E afastou-se devagar, pensando nos meninos que tinham Natal, guloseimas e carros de corrida para brincar. Ele nada tinha, além da fome e a ânsia de ser feliz e viver como os outros. Pensou no Natal, no Menino Jesus, que diziam que era amigo das crianças a quem dá tudo. Por que é que a ele o Jesus Pequenino do presépio nada dava?

De repente, uma mãozinha tocou-lhe no ombro.

Voltou-se assustado. Era o menino da loja que lhe metia na mão um embrulho bonito. À frente, a mãe do rapaz, carregada de embrulhos, fazia de conta que nada via. O Tonito abriu-o de imediato e, deslumbrado, viu um carro de corridas, encarnado, brilhante, como os olhos do menino que lá ao longe lhe acenava. Ficou um momento sem saber o que fazer, mas depois largou a correr, mostrando bem alto a sua prenda de Natal.

 Parara de chover. O sol tentava romper as nuvens escuras, lançando um raio de luz brilhante e quente sobre o Tonito, que ria feliz, numa carita sulcada pelas lágrimas.

 

Fernando Sequeira

 

 

 



publicado por leraprenderecrescer às 11:21
Quinta-feira, 04 de Dezembro de 2008

 

Sou um pinheiro vulgar.
Ora estava eu dormindo em pé, muito regalado da vida, lá na minha terra, quando me foram acordar. Olharam para mim e exclamaram:
- Este é bom! É mesmo bom!
Fiquei vaidosíssimo. Estavam a dizer que eu era bom.
Que era bom, já eu o sabia de cor e salteado, mas que o afirmassem assim tão alto e bom som, era coisa de causar admiração.
Vai daí, começaram a bater-me com um machado pequeno e teimoso que se fartava! Cada golpe que ele me dava, arrancava-me um pedacinho de força.
         “Não há-de ser nada” – pensei eu, tentando agarrar-me mais e mais à terra que sentia fugir-me debaixo das raízes. Quando percebi que flutuava no ar, soube que não ia viver por muito mais tempo naquele sítio. E não me enganava.
         Trouxeram-me para aqui e enfeitaram-me com mil e um presentes: bolas brilhantes, fitas de cores, levíssimos bonecos que baloiçam nas minhas agulhas verdes de pinheiro vulgar.
         Iluminaram-me e todos olham para mim com um estranho ar de festa, de alegria.
         Onde vim parar? Porque me admiram assim tanto? Onde está o mistério?
         Serei eu, afinal de contas, não um pinheiro vulgar, mas um pinheiro diferente dos meus irmãos e amigos que ficaram lá longe, dormindo me pé, sossegadinhos no pinhal onde eu nasci?
 
in, O Livro do Natal, Maria Alberta Menéres

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02_20_w.gif (6031 bytes)O saber não ocupa lugar

 

Maria Alberta Meneres, de seu nome completo Maria Alberta Rovisco Garcia Meneres de Melo e Castro nasceu em Vila Nova de Gaia, em 1930.

Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, pela Universidade Clássica de Lisboa. Foi professora do ensino secundário e colaborou em diversas publicações nomeadamente Távola Redonda, Diário de Notícias, Cadernos do Meio-Dia e Diário Popular, tendo neste último sido responsável, durante dois anos, pela secção Iniciação Literária.

A sua primeira obra data de 1952 e intitula-se Intervalo, tendo sido premiada, em 1960, com o seu livro Água-Memória, no Concurso Internacional de Poesia Giacomo Leopardi.

Maria Alberta Meneres tem dedicado grande parte da sua obra à literatura infantil e juvenil e produziu nesta área programas de televisão, sendo em 1975 sido nomeada chefe do departamento de programas infantis e juvenis da RTP.

Ao longo da sua carreira tem recebido inúmeros prémios nomeadamente o Prémio de Literatura Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1981. Em colaboração com Ernesto de Melo e Castro, organizou, em 1979, uma Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa.

 

 

 

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publicado por leraprenderecrescer às 11:42
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