Quinta-feira, 26 de Março de 2009

 

“Quem sofria mais era o Maheu. Lá em cima, a temperatura chegava a elevar-se a trinta graus, o ar não circulava, a sufocação tornava-se insuportável com o tempo. Para ver, tivera de pendurar a lanterna num prego, junto da cabeça; e essa lanterna que lhe aquecia o crânio, acabava de lhe esquentar o sangue. Mas o suplício agravava-se principalmente com a humidade. A rocha, por cima dele, a poucos centímetros do rosto, estava a escorrer água, grossas gotas contínuas e rápidas, saindo numa espécie de ritmo teimoso, sempre no mesmo sítio. Por mais que ele torcesse e tombasse a cabeça, as gotas pingavam-lhe na cara, esparrinhando e batendo sem descanso. Ao cabo de um quarto de hora, estava ensopado, coberto de suor, fumegando como uma barrela. “
 
Germinal, Émile Zola
 
Este romance descreve as condições de vida sub-humanas de uma comunidade de trabalhadores de uma mina de carvão na França. O objectivo destes trabalhadores era obter condições de vida e de trabalho mais favoráveis e para tal organizam uma greve geral…e mais não digo.Uma leitura um pouco pesada mas o enredo é apaixonante. Prende-nos até ao fim, pura e simplesmente. Não seria de esperar outra coisa de um romance escrito por um escritor que passa dois meses a trabalhar como mineiro na extracção de carvão para se familiarizar com o meio. Excelente para aumentar o nosso vocabulário. MUITO BOM!
Prof. Paula Marques 
 

 



publicado por leraprenderecrescer às 11:37
Terça-feira, 24 de Março de 2009

Eu sou a Primavera !
Está limpa a atmosfera,
E o sol brilha sem véu !
Todos os passarinhos
Já saem dos seus ninhos,
Voando pelo céu.
Há risos na cascata,
Nos lagos e na mata,
Na serra e no vergel:
Andam os beija-flores
Pousando sobre as flores,

Sugando-lhes o mel.
Dou vida aos verdes ramos,
Dou voz aos gaturamos
E paz aos corações;
Cubro as paredes de hera;
Eu sou a Primavera,
A flor das estações !

 

Olavo Bilac
 

Ver post As Estações para mais informação.



publicado por leraprenderecrescer às 13:34
Quinta-feira, 19 de Março de 2009

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publicado por leraprenderecrescer às 11:34
Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

 

eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

 

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

 

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

 

In Movimento Perpétuo, 1956

 

02_20_w.gif (6031 bytes)O saber não ocupa lugar

 

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho (Lisboa, 24 de Novembro de 1906 — Lisboa, 19 de Fevereiro de 1997) foi professor, pedagogo, investigador de História da ciência em Portugal, divulgador da ciência e poeta, sob o pseudónimo de António Gedeão.

"Pedra Filosofal" e "Lágrima de Preta" são dois dos seus mais célebres poemas.

  

Queres saber mais? Clica aqui



publicado por leraprenderecrescer às 10:46
Quinta-feira, 12 de Março de 2009

 

As Causas Perdidas de Jean Christophe Rufin

 

" - A que se deve a fome nesta região? - pergunta ele. - Ao excesso de população. Olhe para estas terras: eram as mais férteis do país; estão praticamente desérticas. Porquê? Porque estão desgastadas. Como um seio que alimentou muitos filhos deram o que tinham a dar e agora não têm forças. Muita gente, recursos insuficientes. Chega a miséria e, com ela, a guerra. Passa-se rapidamente da miséria à fome, verdadeira, total, terrível, impiedosa. Que fazem as nações ricas para nos ajudar? Enviam camiões de alimentos e equipas de médicos. O resultado é satisfatório a curto prazo:alimentam-se os esfomeados. Mas as consequências mais remotas são desastrosas. Todas estas crianças salvas, estes velhos, estas mulheres constituem outras tantas bocas a alimentar amanhã nestas mesmas terras improdutivas. E todas estas ajudas prestadas sem discernimento a esta zona beneficiam mais os rebeldes do que os civis. De resto, a maior parte das vezes é impossível destrinçá-los. É a guerra que está a ser alimentada. Amanhã, uma vez terminada a ajuda estrangeira, que restará? Uma guerra mais violenta, terras mais devastadas e uma população mais numerosa e miserável. Como a chuva que se segue a uma trovoada sobre um terreno árido; as ajudas que nos enviam inundam tudo, escorrem pela superfície e deixam o terreno mais seco do que dantes. Pela nossa parte decidimos utilizar essa energia, canalizar essas águas, ajudá-las a não se dispersarem para enfim alterar as coisas em profundidade."
 
 
É um livro que aborda, do meu ponto de vista, uma visão muito interessante sobre as acções humanitárias e as questões de "ajuda" aos países considerados como mais desfavorecidos.
Um dos livros de que mais gostei!  Prof.ª Ana Margarida Vargues
 


publicado por leraprenderecrescer às 21:57
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